segunda-feira, 26 de maio de 2014

Entre mundos
Valdomiro Maria
... e as voltas que o mundo dá,
Desorientam a forma de pensar.
As reações intercalam com prazeres infundados
Vindos de imaginações repletas de utopias, pecados.

O mundo não é mais seguro,
Viver já está suposto e instável.
As estações que o coração permeia, no escuro,
Surtam, misturam-se e inexistem entre si.

Todo recanto de tranquilidade
É posto à prova.
Incontestáveis análises sem fundamentos...
Os olhos figuram todo o agudo dos sentimentos.

A convivência com o ego,
Transforma-se numa batalha
Em que o sorriso desnatural, que falha,
Esvai-se sem contestar coisa alguma...
E nesse manto escuro dos dentes,
A mórbida e soturna sombra do desespero que sente,

Parece ainda resistir, mesmo suposto o coração frio.

terça-feira, 18 de março de 2014

Sob dimensões outras (Valdomiro Maria)

Abriu os olhos,
Neste instante o tempo parou.
Continuou intrigado numa outra dimensão
Perdido, ele eloquente,
Saboreou cada detalhe daquilo
Sabia que não era sonho,
Pois alucinado pelas sensações,
Sentiu-se apto a se deliciar.

Não acreditando estar sóbrio,
Embebeu-se de euforia,
Moldou-se à moda em si
E viveu cada segundo intensamente.

Mas a outra dimensão é ultrajante,
Cortou-lhe o olhar,
Seu paladar cessou
E a emoção deu lugar
A um sentimento confuso.
Esvaiu-se por entre seus dedos
Toda formosura daquilo.
Entendeu que a vida,
Aquela que rompeu em seu peito por um instante,

Ah! Aquela está apenas em dimensões longínquas... 

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Dos medos
Sinto medo de não mais sonhar
De ter morta em meu peito a esperança
Olhar ao meu redor e ver o vazio
Sentir que eu mesmo morri sem cair

Não poder dizer belas palavras a quem amo
Perder a vontade de sorrir
De olhar pela janela e ver o caos
Sinto medo de ver o mundo ruir
Por entre meus dedos

Meus medos, meus anseios, os dois, juntos
A caminho de um mundo que está dos avessos
Os valores e os costumes mortos
A emoção finda
Destruídos todos, pela ganância e a ânsia de possuir
De todos os medos: perder meus sonhos...
Valdomiro Maria

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Que tem a lua num calabouço claro
Esperando lá um luar sereno
Despindo-se das áureas
Envolta num manto vazio
Oco de emoções, encoberto de sonhos

Esse luar não se mostra
Apaga frente à escuridão
Clama pela luz esvaída
Só, entre grades mórbidas, pranteia

Cada gota de chuva expelida
Torna-se um dilúvio
E os sentimentos pungentes entre maremotos
Prendem-se tortuosos
Nos braços de uma saudade
Pois a sensibilidade
Dilui-se com a noite...

                                                           Valdomiro Maria

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Estamos com saudade
Sentimos muita falta
Precisamos de uma presença
Ansiamos pelo encontro
Contamos cada instante
Agarramo-nos em tudo
Tudo que parece dizer a respeito
Enxergamos o futuro
Damos e compartilhamos
O que parecem ser experiências
Às vezes a carência é amiga confidente
E tudo se manifesta ao nosso redor
Inútil...
O passado, esse se foi.
                                                                                              Valdomiro Maria

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Por falar em loucura, fico imaginando quem seria realmente, se aqueles que vivem a mesmice do dia a dia ou aqueles que vivem intensamente, sem planejamento, que vivem como se o amanhã fosse efêmero. Diferentemente dos que planejam, tornam suas vidas uma constante chatice, iludem-se com promessas vãs e se julgam os “normais”. Mas para falar a verdade, eu não sei sinceramente quem são os loucos ou os chamados “certinhos”, porque quem somos nós para poder nos auto julgar?
                                                                                                                       










Valdomiro Maria

terça-feira, 24 de julho de 2012


Eu sou capaz de ficar horas olhando para o horizonte em busca de coisa alguma. 

Eu sou capaz de ficar olhando para o céu à noite tentando encontrar uma resposta.


Eu sou capaz de olhar para o passado e tentar resgatar algo que não entendo.


Eu sou capaz de permanecer tempo suficiente em silêncio para ouvir nem sei o quê.


Eu sou capaz de andar sem direção em busca de equilíbrio.


Eu sou capaz de ficar fazendo nada durante horas sem entender por que.


Eu sou capaz de ouvir uma música repetidas vezes para me absolver de mim mesmo.


Eu sou capaz de deixar de chorar para que minha frieza não me abandone.


Eu sou capaz de sentir emoção durante o simples pouso de uma libélula.


Eu sou capaz de falar aos berros com alguém para que me ouça.


Eu sou capaz de muita coisa.


E sou incapaz de explicar em palavras tudo aquilo que sinto.


                                                                        Valdomiro Maria