quinta-feira, 16 de maio de 2013


Dos medos
Sinto medo de não mais sonhar
De ter morta em meu peito a esperança
Olhar ao meu redor e ver o vazio
Sentir que eu mesmo morri sem cair

Não poder dizer belas palavras a quem amo
Perder a vontade de sorrir
De olhar pela janela e ver o caos
Sinto medo de ver o mundo ruir
Por entre meus dedos

Meus medos, meus anseios, os dois, juntos
A caminho de um mundo que está dos avessos
Os valores e os costumes mortos
A emoção finda
Destruídos todos, pela ganância e a ânsia de possuir
De todos os medos: perder meus sonhos...
Valdomiro Maria

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Que tem a lua num calabouço claro
Esperando lá um luar sereno
Despindo-se das áureas
Envolta num manto vazio
Oco de emoções, encoberto de sonhos

Esse luar não se mostra
Apaga frente à escuridão
Clama pela luz esvaída
Só, entre grades mórbidas, pranteia

Cada gota de chuva expelida
Torna-se um dilúvio
E os sentimentos pungentes entre maremotos
Prendem-se tortuosos
Nos braços de uma saudade
Pois a sensibilidade
Dilui-se com a noite...

                                                           Valdomiro Maria

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Estamos com saudade
Sentimos muita falta
Precisamos de uma presença
Ansiamos pelo encontro
Contamos cada instante
Agarramo-nos em tudo
Tudo que parece dizer a respeito
Enxergamos o futuro
Damos e compartilhamos
O que parecem ser experiências
Às vezes a carência é amiga confidente
E tudo se manifesta ao nosso redor
Inútil...
O passado, esse se foi.
                                                                                              Valdomiro Maria

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Por falar em loucura, fico imaginando quem seria realmente, se aqueles que vivem a mesmice do dia a dia ou aqueles que vivem intensamente, sem planejamento, que vivem como se o amanhã fosse efêmero. Diferentemente dos que planejam, tornam suas vidas uma constante chatice, iludem-se com promessas vãs e se julgam os “normais”. Mas para falar a verdade, eu não sei sinceramente quem são os loucos ou os chamados “certinhos”, porque quem somos nós para poder nos auto julgar?
                                                                                                                       










Valdomiro Maria

terça-feira, 24 de julho de 2012


Eu sou capaz de ficar horas olhando para o horizonte em busca de coisa alguma. 

Eu sou capaz de ficar olhando para o céu à noite tentando encontrar uma resposta.


Eu sou capaz de olhar para o passado e tentar resgatar algo que não entendo.


Eu sou capaz de permanecer tempo suficiente em silêncio para ouvir nem sei o quê.


Eu sou capaz de andar sem direção em busca de equilíbrio.


Eu sou capaz de ficar fazendo nada durante horas sem entender por que.


Eu sou capaz de ouvir uma música repetidas vezes para me absolver de mim mesmo.


Eu sou capaz de deixar de chorar para que minha frieza não me abandone.


Eu sou capaz de sentir emoção durante o simples pouso de uma libélula.


Eu sou capaz de falar aos berros com alguém para que me ouça.


Eu sou capaz de muita coisa.


E sou incapaz de explicar em palavras tudo aquilo que sinto.


                                                                        Valdomiro Maria

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Intranquilidade
Andando por caminhos intensos, com a ebulição alucinante de seus pensamentos, ele, intranquilo na sua eloquência descontrolada, olhava transpassando objetos sólidos de insólitas aparências. Via deformado o seu presente numa luta frenética com seu passado e futuro. Nada pensava, pois tudo pensava. E nessa velocidade exorbitante de sua cabeça, sentia-se flutuar em suas imaginações, e em cada pulsar de seu coração, o tempo discorria numa incansável sensação de insanidade. O mundo passava a girar ao seu redor, via seus sentimentos ruir diante o mesmo olhar que o transportava para o abismo de seus medos.
Valdomiro Maria

quinta-feira, 26 de abril de 2012


O coração se despedaça

Enquanto pensamentos

Transpassam outras barreiras

A música é ensurdecedora

A temperatura do corpo

Evapora cada gota de suor

Os olhos se mantêm fixos

Focando, ilustrando

E penetrando na alma

Que clama por liberdade

                                   (Valdomiro Maria)