quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Trecho de um conto que vou terminar

O vento da tarde batendo em seu rosto, cortando o calor de suas preocupações, devorando o resto de alegria contido ainda da manhã. Olhou em seu redor, para o horizonte penetrando em sua frente, não tinha certeza do que sentia, em seu peito uma dor sem igual, uma saudade de coisa nenhuma, um vazio agudo, uma mistura de tristeza com euforia. Aquela brisa ainda penteava seu semblante, o sol escondendo-se para aparecer quem sabe a outras almas tristes. Ele lembrava-se da infância, dos dias de alegria que tivera, do dia de ontem, da manhã confusa e estranha que tivera, e uma gota de lágrima cortava, nesse instante, o rosto gélido que trazia tantas marcas da vida, tantas lembranças marcadas de sentimentos extremos. E um soluço, um soluço calado, a mão levada à boca. Dentro de si algo se transformava desesperadamente, enlouquecido, um sentimento antes travado, guardado, sufocado, agora liberto, livre de si próprio: ele chorou. Chorou, mas não como antes, como tantas vezes fez, chorou diferente. Os ombros mexiam-se descontrolados, os traços do rosto enrijeceram... Mãos levadas à face sem pudor ou ressentimento, enfim um sentimento jorrado para fora de seu ego...

sábado, 25 de setembro de 2010

Criança

Ah! os dias de ontem... todos passados
Ilustres primaveras, os verões eternos
Os outonos e invernos
De infância marcados

As flores, os campos, os vales
As brincadeiras incríveis
Sozinhas, aos pares
Tempos inesquecíveis...

Saudade que toca o peito
Que sacia o desejo de voltar
Relembro com jeito
E brinco de lembrar
                                  

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fito os olhos na imensidão do horizonte cravado de lembranças. O pranto que agora reina do presente, me faz esquecer. Vou profundo no meu coração buscar um motivo para sorrir ou algo que me faça mais contente e não disfarço a grande vontade de contemplar o semblante que tanto me cativa.
Em busca da movimentação da alma a produzir êxito para que a mente suporte a tragédia dos dias monótonos, alimentamos algumas ilusões soberbas a fim de concretizar algo que nos faça sorrir um pouco. Buscamos nos olhos as verdades e na alegria, um pouco de paz, no entanto, ao encontrar algo parecido, o coração palpita de emoção e a vida mostra-se imprevisível a olhos nus.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tempo

O tempo simplesmente


O infinito como dedução ilógica

O amor sem o consentimento de ser

O mundo diante olhos escancarados de sede



A soma de formas

A tentativa de poder ser

A loucura como base satisfatória

A forma de sonhar em pequenos desfechos



E o desejo demente de explodir tudo em migalhas

E a vontade misteriosa de amar o nada

E diante o semblante?



Amar já não significa tanto agora

O tempo esvaiu-se

A vida acabou.

Mais um dia

Mais um dia


É manhã, mais um dia que inicia

Será longo esse dia

Fatos do cotidiano, impuro talvez

Não, não obstante é essa vida

Vaga, iluminada, torpe tensa

Retratos de loucuras insaciáveis

Muitas delas bobas loucas extremosas

De tópicos exóticos sabores



Ah! Esse viver contínuo e relâmpago como luz ofuscante

Traduz toda falha dessa escultura

Essa vida não é mais como outras, andantes

Outras obras do tempo de elmos e belos castelos



Essa é como as abstratas

Mesclam ondas e ondas tontas

Giros alongados, loucos, alargados

O futurismo de cabeça alada virada

Mãos pés rostos sonhos sons

Queda...





Passos aqui passos largos rápidos tortos

Mil deles sob comando, parados, estáticos

Dedos telas teclas tons tantos tab

Cedo sono sonho sonso



Ruas roncos riscos trens carros

Na cabeça pressa, logo, lado atrás, atraso.

E o trabalho: tato tanto triste tenso tá.

Mais um dia quente de pé, sentado, fado...

E a vida vai...

Espreme-se delira deleita deita descansa mais e mais

Roda reclama ama chama

E vai...



E a vida vai

Renasce jubilosa entre farelos

Entre delírios e ais

Entre a boca triturante do tempo

O tempo de agora

O hoje: mesmo, igual, só, afora



A vida mostra sua força

Mostra sua fragilidade

Sempre se mostra

Aparece simples, suprema e bárbara



E diante os cacos da mesmice

A vida vai...

E vai a vida



A emoção acabou

Foi-se com a noite

A noite se esvaiu longe longe

Alívio ao nascer do sol?

Ou a tragédia de mais um dia?



O dia traz alegria, pesadelo, choro

Traz o mundo, traz a vida

A pena do seu nascer

O dia não é mais aquele

Aquele... aquele do fim do sol

Da noite passada, de ontem

É mais um, só mais um...

Mais um dia... um...

Apenas...


terça-feira, 24 de agosto de 2010


E se o homem pudesse ver além de sua visão, além de onde os seus olhos podem alcançar? Seria preciso muito equilíbrio de sua mente para manter-se frio e observar o que há depois do horizonte, para enxergar que o infinito é apenas o início. Algo tão grandioso e intangível que sua razão poderá se esvair. Até que ponto ele chegaria? O que seria dele quando voltasse? Suportaria ainda esse mundo?