quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Exaustão (Valdomiro Maria)

         


                O cansaço incomoda-me em todo seu excesso, em toda sua noção de desequilíbrio. Estou exausto da mesmice, exausto dos mesmos gestos, dos dias intermináveis, das semanas e meses que não acabam mais e outros nocivos de tempo que se esvaem como porção de água apanhada por uma mão. Estou farto de ter esperança, de ouvir me pedirem paciência, cautela ou respeito. Ora, a vida não foi concebida a mim para que eu a pudesse viver intensamente como se não houvesse um amanhã, vivê-la de maneira volúvel e incontrolavelmente intensa, com amores e descobertas magníficas?
            Pois é, nem ao menos sei por que estou nesta vida, neste momento, nesta dúvida intransponível. Será mesmo que existe o certo, o errado? Será mesmo que os mais velhos sabem o que realmente dizem, sendo a experiência um conjunto de erros?       
         As respostas simplesmente não existem. O que existe é essa angústia de ser apenas mais um entre os seres que sentem a vida na sua mais alta performance, seres que vêem a insignificância em sua forma mais primitiva e arrogantemente hipócrita de um mundo exuberante e sem respostas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

E de repente o tempo transita nas intermináveis avenidas dos pensamentos
A loucura notável do intransponível caminho sem volta das palavras disparadas,
Mostra que a precipitação requer algo palpável diante sua existência.
A cautela se torna algo sem o tato preciso e fica cada vez mais preciosa.
Os sentimentos, então, transformam-se nas mais dolorosas dúvidas.
Com uma pitada generosa de arrependimento.
É onde os sonhos deixados de lado por alguns instantes ecoam ensurdecedores.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Espelho dos olhos (Valdomiro Maria)


O silêncio dos retratos
Espalha a saudade,
As lembranças inesquecíveis
De um tempo em que a vida,
Esta tão intensa já vivida,
Transforma-se em armadura.
Tatos no rosto e o sabor das lágrimas,
As que inundam o grito calado do choro,
Traçam novamente os relevos do tempo,
De um tempo que só existe no espelho dos olhos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A vida é uma droga alucinógena (Valdomiro Maria)




O tempo simplesmente esvai-se torpe
A inconstância de suas oscilações
Ultrapassa a efervescência da história
E o destino é só uma miragem insana

Loucos vivem em contraponto ao tempo
Suas expectativas a cerca da vida
Transpassam a membrana da razão
E o mundo, veloz, gira delirante

Quantos pensamentos se debatem na mente
Voam enlouquecidos em busca de algo
Mas o quê?
O que tanto procura essa angustiante
Essa deliberada e volátil vontade?

O que esse mundo interior procura
Que se corroi com tanta violência?

Mas o que acontece com a mente é que
Não pode viver sem a loucura do momento
Sem a incompatibilidade dos pensamentos
Sem os delírios e sonhos que se lançam ensandecido
Nesse mar alucinante que são as dúvidas e anseios

A vida é uma droga alucinógena
Viciosa e cativante
Simples, pura, frágil, sensata e incrivelmente espetacular

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lembrar (Valdomiro Maria)

No regresso dos pensamentos, nossa cabeça nos mostra rastos inconfundivelmente magníficos. A saudade se instala no peito, toma conta dos nossos olhos chorosos e nos faz, incontrolavelmente, reféns de nós mesmos numa agressividade delicada até, pois o coração de quem se sensibiliza pulsa de um jeito diferente, como se só batesse em função das lembranças.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Natureza

Natureza (Valdomiro Maria)

És tão bela, tão doce e meiga
Gestos singelos como de um passarinho
Voa em seu pensamento
De todo suavezinho

Olhas ao teu redor, vês,
Causaste o desabrochar das flores
E os simples sonhos
De teus amores.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Livre (Valdomiro Maria)

Livre (Valdomiro Maria)
O perfume que exala das rosas
O brilho de cada flor
E a chuva que cai renovas
O colorido do puro sabor

As gotas que escorrem por entre as pétalas
Tocam o chão
Secam e para as nuvens vão
Para dar mais vida à Natureza
E mais sonho ao coração