terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Espelho dos olhos (Valdomiro Maria)


O silêncio dos retratos
Espalha a saudade,
As lembranças inesquecíveis
De um tempo em que a vida,
Esta tão intensa já vivida,
Transforma-se em armadura.
Tatos no rosto e o sabor das lágrimas,
As que inundam o grito calado do choro,
Traçam novamente os relevos do tempo,
De um tempo que só existe no espelho dos olhos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A vida é uma droga alucinógena (Valdomiro Maria)




O tempo simplesmente esvai-se torpe
A inconstância de suas oscilações
Ultrapassa a efervescência da história
E o destino é só uma miragem insana

Loucos vivem em contraponto ao tempo
Suas expectativas a cerca da vida
Transpassam a membrana da razão
E o mundo, veloz, gira delirante

Quantos pensamentos se debatem na mente
Voam enlouquecidos em busca de algo
Mas o quê?
O que tanto procura essa angustiante
Essa deliberada e volátil vontade?

O que esse mundo interior procura
Que se corroi com tanta violência?

Mas o que acontece com a mente é que
Não pode viver sem a loucura do momento
Sem a incompatibilidade dos pensamentos
Sem os delírios e sonhos que se lançam ensandecido
Nesse mar alucinante que são as dúvidas e anseios

A vida é uma droga alucinógena
Viciosa e cativante
Simples, pura, frágil, sensata e incrivelmente espetacular

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lembrar (Valdomiro Maria)

No regresso dos pensamentos, nossa cabeça nos mostra rastos inconfundivelmente magníficos. A saudade se instala no peito, toma conta dos nossos olhos chorosos e nos faz, incontrolavelmente, reféns de nós mesmos numa agressividade delicada até, pois o coração de quem se sensibiliza pulsa de um jeito diferente, como se só batesse em função das lembranças.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Natureza

Natureza (Valdomiro Maria)

És tão bela, tão doce e meiga
Gestos singelos como de um passarinho
Voa em seu pensamento
De todo suavezinho

Olhas ao teu redor, vês,
Causaste o desabrochar das flores
E os simples sonhos
De teus amores.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Livre (Valdomiro Maria)

Livre (Valdomiro Maria)
O perfume que exala das rosas
O brilho de cada flor
E a chuva que cai renovas
O colorido do puro sabor

As gotas que escorrem por entre as pétalas
Tocam o chão
Secam e para as nuvens vão
Para dar mais vida à Natureza
E mais sonho ao coração

quarta-feira, 31 de agosto de 2011













Devaneios                                                                                                                                                                                           Valdomiro Maria

Carrego no rosto marcado
os estragos das horas,
da entrega do corpo e mente
ao caos dos acontecimentos

Desse semblante embebido de silêncio,
um detalhe põe à prova toda angústia:
ser mais um apenas, entre tantos.
Tantos descrentes da loucura,
da mágica de olhar diferente.

Distante de mim o além.
O após, o ângulo superior da visão,
do modo de ver, de sentir...
da maneira como a vida estanca
o sangramento da efervescência,
do grito, da apatia, da razão.

A vida assim vai, sobrevive ainda.
O controle corre riscos
de fugir à razão, ao certo,
pois a eloqüência vibrante e extrema
jorra em minha mente,
fazendo-me refém de mim mesmo,
e o pensamento ainda resiste,  não sei por que.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

… e lá vamos outra vez, sentimentos alados, debatendo-se insanos em pensamentos insuportáveis às formas mais primitivas e dúbias desses esmos impenetráveis da mente. E é nos sonhos que desabrocham essas perplexidades involuntárias do subconsciente. Despindo-se de toda volúpia corroborada de uma aridez ímpar e incontrolavelmente estranha.
Valdomiro Maria