terça-feira, 29 de março de 2011

Queria fugir dessa realidade mútua,
Olhar para o horizonte e enxergar além,
Flutuar entre as nuvens, atravessando seus flocos,
Perpassando suavemente pelo seu corpo.
Voar entre as árvores, deliciar-me com o néctar das flores.

Queria molhar meu peito num voo rasante no plano das águas dos rios,
Mergulhar profundamente no mais fundo dos oceanos
E deslizar entre os abismos dos mares.

Subir, subir, subir volátil, atravessando todas as esferas do planeta
E contemplar o silêncio obscuro do espaço,
Assistir em lágrimas o espetáculo azul que se derrama no globo encantador.

Mas a realidade, essa realidade insana,
Ensurdecedora que trafega pela minha mente,
Não supre a carência de me refugiar de mim.
Sinto seu monstruoso abraço sufocando meu peito.
Essa força incalculável da sua devastação,
Não me permite me perder em meus delírios,
Aos quais me jogo louco sem hesitar.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

             A quais palavras exatamente devo debandar meus pensamentos para realçar o sentimento tão íngreme contido em meu peito?
            Tantas são as dúvidas, mas simplifico aqui minha busca num transparente cair de emoções para justificar minha ignorância perante o que existe dentro do coração. Entro, portanto, em contradição e me rendo ao caos das explicações que tanto busco. Reconheço as minhas imperfeições e tombo diante a barreira da dúvida e da demasiada frustração de não saber onde estão as escritas precisas para denominar tamanha falta de compreensão daquilo que sente um coração que ama.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Silêncio

          As palavras me faltam quando as tanto preciso. É tanto para se dizer, muitas falas, várias palavras, mas não me vêm à mente, não invadem meus lábios. Nada, simplesmente um vazio ensurdecedor.
            Não há o que explicar, não há o que lamentar, não tem para onde gritar porque não sei o que dizer. Apenas ofereço meu vazio, a minha total derrota para o silêncio.
http://www.youtube.com/watch?v=ERTmvOll87s 


Vídeo com Rolando Boldrin declamando um texto que fala um pouco da política. Vale a pena ver, é emocionante.
     Existe a possibilidade de contratar um candidato que seja capaz mesmo de mudar o quadro político atual? Que tomará a frente, frente a essa demanda de gente honesta, um que não se escore na corja que habita o selvagem congresso nacional?
     Tanto o brasileiro almeja ver um candidato que elegeu, que é quase impossível reencontrá-lo. Deve ser por isso que Brasília fica tão longe das capitais! Talvez uma estratégia de fuga...
Durante toda a propaganda política o discurso mantém o mesmo trajeto, a mesmice que a multidão ouve todo ano político.
     Ah! Quem dera o povo ter voz, ter sua vez. Ultimamente o brasileiro só fala, e reclama, e reclama, e fala. Quantos assistem à propaganda obrigatória? Mas porque é obrigatória? O país não é democrático? O povo não deveria ser obrigado a votar, mas aí quem votaria?
     O fato é que neste país as coisas dão certo se houver interesse da elite. Durante a campanha política, tudo funciona tudo fica mais fácil, mais acessível. O problema é quando acaba... Volta a ser o Brasil.
     Mas falar mal do país não muda, não resolve, isso é fazer o que fazem aqueles falantes, debatedores e “inteligentes”.
     O país só vai mudar quando o povo começar a gritar pelos seus interesses, suas verdades, for à luta.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


E quando o dia amanhecer?
                E quando a hora chegar?
                               E quando tiver que voltar?
                                               E quando tiver que partir?
                                                               E quando acabar?
                                                                              E quando começar?
                                                                                              E quando se for?
                                                                                                              E quando aparecer
                                                                                                                             E quando esquecer?
                                                                                                                                    E quando lembrar?
                E quando acontecer?
                               E quando acabar?
                                               E quando falar?
                                                               E quando ouvir?
                                                                              E quando perguntar?
                                                                                              E quando responder?
                                                                                                              E quando souber?
                                                                                                                             E quando errar?
                                                                                                                             E quando chegar o fim?
                                                                                                                                                             Quando?
Eis a vida.

 


Hoje é o dia


Hoje é o dia de iniciar algo diferente
De ser irresponsável
Dia de estar no trabalho ausente

Hoje é o dia de tomar banho de chuva
Dia de cortar os cabelos
 De desenhar sobre a pele
Falar bobagem aos berros
De quebrar alguns copos

Hoje é o dia
O dia de não obedecer
De ver o céu azul
De comer tudo o que é gostoso
De tomar sol nu

Hoje é o dia certo
Dia de extrapolar
Faltar à aula, faltar à missa
Não ir ao encontro marcado
Dia de ser exagerado

Dia de caminhar sem rumo
Conhecer o desconhecido
Não ler jornal nem livro
De apreciar o mundo

Dia de dar um abraço em quem você gosta
De começar a caminhar
De organizar seu quarto
Dia de tirar um tempo pra você

Hoje é o dia de mandar flores
De andar descalço
Dançar na chuva
Dia de vencer seus medos
Dia de sair andando sem rumo
E não ter segredos

Ah!... Hoje, hoje é o dia marcado
Dia esperado
Tido e aclamado
Dia de entrar no mar
De não mais temer
Dia de arriscar

Hoje, exatamente hoje, não ontem
Não amanhã, mas hoje, hoje é o grande dia
De não ter vergonha de sorrir
De falar o que tanto precisa
Dia de amar
Dia da natureza
De não ter certeza
Dia de errar

Dia de correr atrás dos sonhos
E sonhar sem duvidar

Hoje, hoje é o seu dia!
De fazer tudo o que queria
Simplesmente porque hoje
 Hoje é o dia!