quarta-feira, 2 de maio de 2012


Intranquilidade
Andando por caminhos intensos, com a ebulição alucinante de seus pensamentos, ele, intranquilo na sua eloquência descontrolada, olhava transpassando objetos sólidos de insólitas aparências. Via deformado o seu presente numa luta frenética com seu passado e futuro. Nada pensava, pois tudo pensava. E nessa velocidade exorbitante de sua cabeça, sentia-se flutuar em suas imaginações, e em cada pulsar de seu coração, o tempo discorria numa incansável sensação de insanidade. O mundo passava a girar ao seu redor, via seus sentimentos ruir diante o mesmo olhar que o transportava para o abismo de seus medos.
Valdomiro Maria

quinta-feira, 26 de abril de 2012


O coração se despedaça

Enquanto pensamentos

Transpassam outras barreiras

A música é ensurdecedora

A temperatura do corpo

Evapora cada gota de suor

Os olhos se mantêm fixos

Focando, ilustrando

E penetrando na alma

Que clama por liberdade

                                   (Valdomiro Maria)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Transição (Valdomiro Maria)

Passado o tempo, tudo se modifica
Constroem-se novos desejos
Mudam-se os planos
Desfazem-se os sonhos

A natureza se requesta
Brotando de profundezas generosas
Envelhecem-se os novos
Transitam-se refinadas esperanças
Terminam-se ciclos

Noites e dias somem, reaparecem
O sol ainda resoluto, permanece
Indo e brotando de noites infinitas

E a vida, ah! Esta se renova
A cada instante
Em cada milímetro de ilusão

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Exaustão (Valdomiro Maria)

         


                O cansaço incomoda-me em todo seu excesso, em toda sua noção de desequilíbrio. Estou exausto da mesmice, exausto dos mesmos gestos, dos dias intermináveis, das semanas e meses que não acabam mais e outros nocivos de tempo que se esvaem como porção de água apanhada por uma mão. Estou farto de ter esperança, de ouvir me pedirem paciência, cautela ou respeito. Ora, a vida não foi concebida a mim para que eu a pudesse viver intensamente como se não houvesse um amanhã, vivê-la de maneira volúvel e incontrolavelmente intensa, com amores e descobertas magníficas?
            Pois é, nem ao menos sei por que estou nesta vida, neste momento, nesta dúvida intransponível. Será mesmo que existe o certo, o errado? Será mesmo que os mais velhos sabem o que realmente dizem, sendo a experiência um conjunto de erros?       
         As respostas simplesmente não existem. O que existe é essa angústia de ser apenas mais um entre os seres que sentem a vida na sua mais alta performance, seres que vêem a insignificância em sua forma mais primitiva e arrogantemente hipócrita de um mundo exuberante e sem respostas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

E de repente o tempo transita nas intermináveis avenidas dos pensamentos
A loucura notável do intransponível caminho sem volta das palavras disparadas,
Mostra que a precipitação requer algo palpável diante sua existência.
A cautela se torna algo sem o tato preciso e fica cada vez mais preciosa.
Os sentimentos, então, transformam-se nas mais dolorosas dúvidas.
Com uma pitada generosa de arrependimento.
É onde os sonhos deixados de lado por alguns instantes ecoam ensurdecedores.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Espelho dos olhos (Valdomiro Maria)


O silêncio dos retratos
Espalha a saudade,
As lembranças inesquecíveis
De um tempo em que a vida,
Esta tão intensa já vivida,
Transforma-se em armadura.
Tatos no rosto e o sabor das lágrimas,
As que inundam o grito calado do choro,
Traçam novamente os relevos do tempo,
De um tempo que só existe no espelho dos olhos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A vida é uma droga alucinógena (Valdomiro Maria)




O tempo simplesmente esvai-se torpe
A inconstância de suas oscilações
Ultrapassa a efervescência da história
E o destino é só uma miragem insana

Loucos vivem em contraponto ao tempo
Suas expectativas a cerca da vida
Transpassam a membrana da razão
E o mundo, veloz, gira delirante

Quantos pensamentos se debatem na mente
Voam enlouquecidos em busca de algo
Mas o quê?
O que tanto procura essa angustiante
Essa deliberada e volátil vontade?

O que esse mundo interior procura
Que se corroi com tanta violência?

Mas o que acontece com a mente é que
Não pode viver sem a loucura do momento
Sem a incompatibilidade dos pensamentos
Sem os delírios e sonhos que se lançam ensandecido
Nesse mar alucinante que são as dúvidas e anseios

A vida é uma droga alucinógena
Viciosa e cativante
Simples, pura, frágil, sensata e incrivelmente espetacular