terça-feira, 9 de novembro de 2010

Apenas

              
Apenas

Queria poder ter o privilegio de cativar o olhar desconhecido
Mergulhar na imensidão do coração
Mover um pedaço do seu mundo
E conquistar as vitórias que me fariam bem

Queria ousar falar não
Dizer sim nas horas improváveis
Gritar diante o silêncio
E silenciar o caos dos pensamentos...

                                                          
Olhar no fundo dos pensamentos
Dizer as frases perfeitas
Tocar com o carinho preciso...

Sinto falta dos abraços e beijos imaginados
Das palavras não ditas
Dos risos, delírios e planos conjuntos ....

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quieto

Não falo de amor
Não falo de paixão
Nem de flores 
Ou ao menos desse desejo

Digo palavras apenas
Expressões avulsas
Sem nexo ou fim           
Falo simplesmente

Porque existe tanto para se dizer
Um turbilhão de vozes presas
Entupindo as vias por onde saem
Entorpecidas de almejos, as frases       

Mas poupo-me dessa angústia
Passo a vez aos que falam e falam e falam        
De pronto, somente sinto, torço e clamo calado
Falando em pensamento escrito
Simplesmente não me vejo no espelho
Não sinto minha pele quando a toco
Não vejo o horizonte flamejante
Não percebo a moldura do meu coração

Atravesso meus pensamentos
Pisando louco em seus flancos
Nacos de emoções entropecem-me de vazio

Não há angústia, tristeza ou esperança
Existe um oco sem fim dentro do peito
Um buraco sem dimensão de conhecimento

Os transtornos, todos eles findaram
A sensibilidade do vento no rosto, esvaiu-se
A dor, essa, foi-se
Caminhou perdida por entre os olhos
Que não podem mais sentir 
O belo azul que compõe o céu

O mundo não é mais habitável
E a maior das torturas
É a vida, a vida, que continua...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Trecho de um conto que vou terminar

O vento da tarde batendo em seu rosto, cortando o calor de suas preocupações, devorando o resto de alegria contido ainda da manhã. Olhou em seu redor, para o horizonte penetrando em sua frente, não tinha certeza do que sentia, em seu peito uma dor sem igual, uma saudade de coisa nenhuma, um vazio agudo, uma mistura de tristeza com euforia. Aquela brisa ainda penteava seu semblante, o sol escondendo-se para aparecer quem sabe a outras almas tristes. Ele lembrava-se da infância, dos dias de alegria que tivera, do dia de ontem, da manhã confusa e estranha que tivera, e uma gota de lágrima cortava, nesse instante, o rosto gélido que trazia tantas marcas da vida, tantas lembranças marcadas de sentimentos extremos. E um soluço, um soluço calado, a mão levada à boca. Dentro de si algo se transformava desesperadamente, enlouquecido, um sentimento antes travado, guardado, sufocado, agora liberto, livre de si próprio: ele chorou. Chorou, mas não como antes, como tantas vezes fez, chorou diferente. Os ombros mexiam-se descontrolados, os traços do rosto enrijeceram... Mãos levadas à face sem pudor ou ressentimento, enfim um sentimento jorrado para fora de seu ego...

sábado, 25 de setembro de 2010

Criança

Ah! os dias de ontem... todos passados
Ilustres primaveras, os verões eternos
Os outonos e invernos
De infância marcados

As flores, os campos, os vales
As brincadeiras incríveis
Sozinhas, aos pares
Tempos inesquecíveis...

Saudade que toca o peito
Que sacia o desejo de voltar
Relembro com jeito
E brinco de lembrar
                                  

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fito os olhos na imensidão do horizonte cravado de lembranças. O pranto que agora reina do presente, me faz esquecer. Vou profundo no meu coração buscar um motivo para sorrir ou algo que me faça mais contente e não disfarço a grande vontade de contemplar o semblante que tanto me cativa.
Em busca da movimentação da alma a produzir êxito para que a mente suporte a tragédia dos dias monótonos, alimentamos algumas ilusões soberbas a fim de concretizar algo que nos faça sorrir um pouco. Buscamos nos olhos as verdades e na alegria, um pouco de paz, no entanto, ao encontrar algo parecido, o coração palpita de emoção e a vida mostra-se imprevisível a olhos nus.